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Encontrar leveza em um diagnóstico

  • Tatiane Kurokawa
  • 23 de jan.
  • 3 min de leitura

Semanas atrás eu fui a uma consulta, “consulta de rotina”… desde que nos mudamos para São Sebastião, eu não tinha mais feito nenhum exame e nenhuma consulta médica.


Estou em acompanhamento com uma especialista e ela mesmo me pediu uma bateria de exames; aproveitei e agendei com ginecologista para ver também o que mais precisava ser avaliado.


Na consulta, o médico, que tem um ultrassom no consultório, fez a avaliação. E me trouxe um diagnóstico: adenomiose.


Para quem não sabe, adenomiose é um espessamento da parede do útero, para dentro da parede muscular. A conduta normalmente para o “tratamento” é a através de hormônios, DIU hormonal e, por vezes, histerectomia. E essa última foi o que o médico me disse: “praticamente 80% das histerectomias aparecem por conta de adenomiose.”


Pois bem… ele me perguntou: “você sente algo anormal no seu ciclo menstrual? Sangramento excessivo, dores intensas etc?”


Eu respondi que não… apesar de algumas oscilações ultimamente (o que me levou também a especialista em saúde da mulher de forma terapêutica e natural), mais nada além disso.


Enfim… sai da consulta com um diagnóstico que nem desconfiava e sem nenhum sintoma que pudesse fazer suspeitar de algo. E agora?? Como você reagiria com isso?


Se eu não tivesse os conhecimentos que tenho, provavelmente eu sairia do consultório direto para o dr. Google… eu aposto que muitos daqui fariam ou fazem o mesmo. E pode apostar: achei coisas assustadoras nesse dr…. Que me colocariam numa condição “doente” tenebrosa, ainda mais depois dos 40 (palavras encontradas no dr. Google).


Como coerência e leveza são valores importantes para mim, eu naturalmente ouvi a informação e o sentimento foi: “Ah, ok… era mesmo esperado. Tudo certo!”


E quando parei realmente para pensar sobre, veio o tanto que trabalhei diversos pontos, por diversas vezes, em diversas camadas, os conflitos que tocam nesse órgão: o útero.


Como eu sei?? O útero é o órgão que abriga os filhos, que se prepara para gestar, que também abriga projetos como filhos que a mulher coloca no mundo. E o que eu tenho feito tanto?? Olhar para meus filhos, para os abortos, para o meu ninho, para meus projetos…


E não basta saber sobre as leis biológicas que regem nosso corpo (são leis, não tem exceção), além da nossa percepção emocional… eu tive a certeza que eu vivo isso, que eu olho para um diagnóstico com essa lente e isso me traz leveza. Não a leveza de quem ignora os fatos, mas a leveza de quem compreende e que sabe das escolhas que podem ser feitas.


Saber e viver o que sei me trouxe a sensação de estar coerente comigo, com o que eu acredito. E mais… que um diagnóstico compreendido em sua forma e origem é leve. Leve porque depende de mim a decisão do que fazer com essa informação… Leve porque não sou refém desse diagnóstico e nem de intervenções no meu corpo (sejam intervenções medicamentosas ou cirúrgicas).


Saber que tenho poder de escolha, sem pânico. Isso é coerente.


Para você que me lê pode parecer distante esse tipo de informação, mas isso também é uma escolha.


No dr. Google você vai encontrar muitas informações de fontes que você conhece (e as vezes nem conhece!), mas e se houverem informações novas, diferentes daquilo que você ouviu e aceitou a vida toda?


Eu escolhi saber e ter poder de escolha, mesmo se um dia eu precisar ou aceitar alguma intervenção, que eu possa escolher com consciência e não por sentença, por estar cega de outras verdades.


Uma vez, uma pessoa me disse: “pra você é fácil falar porque não é com você…” se tratando de uma suspeita de um diagnóstico que ela tinha recebido. Eu não tenho e nem posso julgar a condição do outro, mas essa frase (entre outras situações também) me fez refletir “e se fosse comigo?”


Acredito que mesmo não sendo um diagnóstico considerado grave, eu pude sentir… e isso me deu realmente muitas certezas, confiança no que eu aprendi e no que eu vivo.


No mínimo, questione…


O Criador (sejam qual crença você tiver) não pode ter feito um corpo que luta contra si mesmo.


Não quero mudar a forma como você pensa, mas se você se permitir questionar, é o suficiente… é algo que pude contribuir e inspirei algum movimento.


Ter poder de escolha é libertador!


Tati Kurokawa

 
 
 

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