Síndrome do Pokémon no Trabalho
- Rodrigo Higa
- 9 de abr.
- 4 min de leitura
O que acontece quando um pokémon evolui?
Ele ganha novos poderes, até muda a sua forma, e as vezes até aumenta de tamanho. Ganha novas habilidades, poderes e novas possibilidades de combate, novas variações de golpes e maneiras de vencer uma batalha. São seres incríveis, para quem acompanha o mundo do anime, não é mesmo?
Tenho observado muito desse comportamentos nos profissionais atualmente, e vou explicar o porquê.
Sabe quando nos categorizamos e nos separamos por níveis de carreira dentro de uma empresa? A nomenclatura e padrão pode variar de empresa para empresa: júnior, pleno, sênior, Level 1, Level 2, Level 3, etc. Mas a ideia é conseguirmos entender onde cada profissional se encontra, dentro dos critérios que a empresa julga importante.
Até aí, tudo certo, e até uma boa forma de tentarmos organizar a visão que temos sobre a maturidade e conhecimento dos colaboradores. Assim, conseguiremos definir planos, carreira e salários para todos de uma forma mais justa possível, na perspectiva de quem define essas regras e realiza suas avaliações. Ocorre que tenho visto um efeito colateral desse modelo, um efeito sútil, mas que faz muita diferença na maneira em que os profissionais se comportam.
Dentro de um instinto de pertencimento (que é uma das necessidades humanas) que temos em nossa mente, passamos a buscar “fazer parte de algo”, nesse sentido passo e buscar se “classificado” dentro de um desses níveis, pois assim então, serei visto, reconhecido e valorizado. E sentirei que estou avançando e minha carreira.
E é nesse exato ponto que tenho visto pessoas entrando na armadilha, do que carinhosamente chamei de Síndrome do Pokemón. As pessoas tem buscado reconhecimentos dentro de um nível e ficam constantemente trabalhando para evoluir ao próximo nível.
Assim, em muitos casos, tem a sensação de que terão “mais” poderes, de que agora poderão fazer determinadas atividades, etc. E essa visão não é somente de quem está nas camadas mais juniors, mas também nas camadas executivas! É claro que dentro de algumas regras e políticas internas, algumas informações são confidenciais para alguns níveis, isso faz parte do jogo. Mas vejo literalmente pessoas e líderes limitando as pessoas dentro de seus níveis, atribuindo ou somente assumindo tarefas e responsabilidades que condizem com o seu nível.
Por diversas vezes, esquecemos de olhar para as pessoas (ou olhar para nós mesmos) e olhamos somente os níveis ao que pertencem, como se isso as definissem. É claro que isso nos mostra um pouco da pessoa, mas não as define.
Já escutei de pessoas se limitando ao assumir diferentes atividades: “Não vou fazer isso, isso é atividade de um nível acima do meu”, “Quando eu for promovido, poderei fazer tal atividade”, “Não desenvolvo isso, está acima do meu nível” e por ai vai.
E na visão de líderes, também temos a Síndrome do Pokemón, mas olhando para seus liderados, já escutei frase dos líderes, limitando suas visões sobre seus liderados: “Tenho atribuído atividades para ela que são esperadas ao nível dela, e ela tem ido muito bem”, “Não passo atividade de média ou complexa para ele, por causa do seu nível”, e esquecemos de olhar para nossos liderados, de incentivá-los a aprender ou ter novas experiências, e não avançam em seus conhecimentos e habilidades.
Em casos mais profundos, vejo pessoas até com dificuldades de saber o que precisam fazer para ir para melhor, ou melhor dizendo, para ir para um próximo nível! Uma vez me perguntaram: “O que preciso estudar para avançar mais?”. Então perguntei: “Pense no seu último projeto, você conseguiria fazer qualquer atividade que tinha lá para ser feita? Qualquer uma?”. E a resposta veio: “Ah não, tinha umas coisas muito complexas lá”. Então respondi: “Então comece a pensar por ai, o que você precisa estudar....”.
Achamos que para a pessoa desempenhar novos papeis ou ter novas habilidades, somente fazer um treinamento, vai dar as devidas capacidades de desempenhar um bom papel. Como se fossemos um app que precisa ser atualizado e não focamos na experiência, no compartilhamento e coaching do dia a dia, que são coisas que nenhum curso oferece. E grande parte disso, é motivado pela insana rotina que muitas vezes vivemos, cheias de reuniões e alinhamentos, passando a não ter tempo para mostrar, ensinar e acompanhar os mais novos, ou os mais experientes, para aprendemos.
Muitas vezes, temos medo de assumir um desafio novo, pois podemos ser mal avaliados, cobrados, sofreremos pressão. É como se, agora que terminei um treinamento de "como ser um líder", saberemos ser um líder. Mas como muitas vezes não tivemos esse tempo e troca de experiências, temos dificuldade de lidar emocionalmente com esses eventos de pressão, cobranças e outras dificuldades e podemos não aguentar.
Então, para vocês aqueles colaboradores que estão agora se sentindo com a Síndrome do Pokemón, reflitam como estão agindo perante aos desafios? Quem são vocês dentro dos serviços que sua empresa oferece? Ondem podem e querem chegar? Quais os seus valores de entrega de serviços? Estão realmente entregando eles no trabalho? Onde mais você pode expandir e ajudar a empresa? Independente do seu nível, mas sim, dependente dos seus conhecimentos, habilidades e experiências. Quem é você na fila do pão?
Para você, líder, que também sente a Síndrome do Pokemón, na visão de seus liderados. Quanto tempo está conseguindo ter para olhar verdadeiramente para seus liderados? O quanto tem ensinado eles e inspirados eles à ir além? Ou se sente sem tempo para fazer um acompanhamento mais próximo? Ou pior, não acha isso relevante, que um treinamento vai resolver?
Esse senso de pertencimento, vai muito mais além de cargos e salários, vai para um sentimento de união, time, família enfrentando os mesmos desafios e superando-os juntos. Comemorando cada conquista e aprendizado no caminho.
Convido à todos a refletir sobre esse assunto e trazer aqui suas diferentes percepções sobre.
Gratidão
Rodrigo Higa - EhLeve






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